sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Era uma vez a Buracolândia...

Em um belo país muito, muito distante do desenvolvimento e da igualdade social, havia uma pequena cidade, uma vila chamada Buracolândia. Lá, toda rua era feita de lindos e grandes buracos, obra de carros pesados e de maus cuidados das mesmas. Tudo graças aos líderes daquele pequeno vilarejo. O último deles, de tão bom e atencioso com os belos buracos cheios de água e de nada, costumava dizer ao povo sempre educado e feliz daquela pequena e ensolarada cidade: “a grande obra é cuidar das pessoas”. E porque não das 'deficiências' das ruas? Assim o fazia.

A Buracolândia foi crescendo e junto com elas os seus lindos buracos se espalharam pela cidade. Isso foi deixando muita gente feliz: os donos de oficinas, borracharias, vendedores de suspensão e mecânicos em geral, além das velhas senhorinhas que agora podiam, com o devido cuidado, atravessar as ruas mais tranqüilamente já que os carros não podiam passar dos 30km/h.

Em algumas ruas da simpática cidade, como numa pequena comunidade ao sul, os buracos estavam cada vez maiores e mais cheios de água e de vida: girinos, sapos, pequenas e simpáticas cobras habitavam aquela região nunca antes habitada. Alguns moradores e comerciantes malvados tentavam inutilmente tapar os pobres buracos com metralha, britas e barro. Mas como o povo da Buracolândia não vivia sem um buraco, resolviam passar com os ônibus naquelas ruas para abrir tudo de novo e deixar tudo como sempre.

Até que um dia, os filhos e netos dos habitantes de Buracolândia perceberam que o romantismo dos buracos que dava nome à cidadezinha estava acabando. E resolveram se revoltar. “Vamos tapar todos os buracos” – gritavam pelas ruas. Queriam mudar Buracolândia para sempre. Queriam pneus inteiros e suspensões de carros funcionando perfeitamente. Queriam velhinhas indo para a faixa atravessar a rua e com muito mais cuidado, pois agora a rua seria dos velozes-carros-que-não-precisaria-se-incomodar-com-buracos.

E foi aí que Jhopa, prefeito da pequena Buracolândia, percebeu que sua vila não era mais tranqüila e mesmo assim, resolveu deixar tudo do jeito que estava, afinal, o que seria da cidade sem os buracos? Passaria a se chamar como? No máximo, mudaria o nome para Recife.

FILHO DA PUTA!


p.s.: Em breve colocarei aqui algumas fotos da bela Buracolândia e todo o seu romantismo.